vânia mignone

vânia mignone . 33 bienal de são paulo-afinidades afetivas [affective affinities] . projetos individuais [individual projects] . curadoria de gabriel pérez-barreiro . imagens [images]: o último pôr do sol, a gente conversa aqui e [and] certezas derretidas, 2017 . acrílica sobre mdf [acrylic on mdf], 300 x 240 cm cada [each]
texto e imagens do instagram casa triangulo

 

áudio: nando reis comenta sobre o trabalho de vânia mignone

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#33bienal

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A arte está próxima de você?
Vânia Mignone conta sobre seu primeiro susto com uma obra de arte.
O acesso que eu tive a grandes museus, a grandes obras de arte, foi muito restrito durante toda a minha infância e adolescência. Embora morando tão próxima de São Paulo, não tinha esse hábito na minha família de frequentar museus nem nada. O hábito em casa era de escutar música popular brasileira, museus não. Mas alguém em casa – deve ter sido minha mãe – colecionou um fascículo de uma coleção de banca de revista, e esse fascículo era dos Impressionistas. E tinha um trabalho do Gauguin. Eu achava aquilo tudo tão maravilhoso, um colorido forte, os traços pretos que hoje em dia aparecem no meu trabalho... achava aquilo lindo mas absolutamente inacessível. Era um mundo assim: "Olha, existem grandes artistas que estão em museus e é um mundo completamente separado do seu, não existe nenhum tipo de proximidade possível ali"

Nunca discuti isso também porque nunca pensei sobre isso. Mas quando eu, fazendo faculdade de Publicidade, vim conhecer o MASP, dei de cara com um trabalho que eles têm do Gauguin... eu levei um susto! Um tal susto que estou hoje falando sobre isso. Porque eu vi ali a tela, que era um tecido muito rústico, talvez um saco mesmo que ele tenha usado para pintar, lugares onde a tinta estava muito empelotada, várias camadas, uma em cima da outra, lugares em que a tinta estava ralinha, que você via a tela... resquícios, acho que de areia... Eu falei: "Meu Deus! É tão bonito quanto o outro que eu conhecia, mas ele ele é próximo!"

Essas irregularidades, essas dificuldades todas, que eu vi no trabalho pessoalmente, que eu não vi através da impressão... Eu falei assim: "Meu Deus! Se o Gauguin fez, e isso aqui está no museu, e é tão maravilhoso para mim, eu posso também fazer!" Eu trouxe ele para um patamar humano, para um patamar de possibilidades. E isso foi muito importante, porque o trabalho que vou apresentar aqui na Bienal também nasce de materiais muito simples, materiais que não são exatamente preparados para serem obras de arte. E eu acho isso maravilhoso, acho isso incrível. Eu gosto dessa dificuldade, gosto dessa irregularidade. Isso tudo, para mim, parece que o trabalho fica mais quente, fica mais próximo, cria esse laço de "afetividade".

 
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